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A Maternidade Em Morra, Amor

Autores

DOI:

https://doi.org/10.18223/hiscult.v14i2.5034

Resumo

O artigo propõe uma leitura crítica do romance Morra, amor, de Ariana Harwicz, a partir do diálogo com a historiografia e a teoria social sobre a normatização dos corpos femininos. A narrativa, marcada por um fluxo de consciência caótico e sensorial, apresenta uma personagem materna que desafia os modelos tradicionais de maternidade. Com base em Badinter (1985), analisam-se os dispositivos históricos que naturalizaram o papel da mãe como centro moral da família. A obra evidencia uma maternidade vivida com angústia, hostilidade e desejo de ruptura, refletindo os efeitos subjetivos das imposições sociais. A personagem não representa uma anomalia, mas sim o sintoma de um modelo que oprime e silencia. Sua recusa em performar o ideal materno é lida como um gesto de subversão, trazendo a importância de se desnaturalizar a maternidade e escutar experiências que rompem com o mito da mãe ideal.

Publicado

2026-01-06