“SÓ UMA MÃE É QUE SABE”: MATERNIDADE E SOFRIMENTO MENTAL

Autores

  • Tahiana Meneses Alves

Palavras-chave:

saúde mental; mulheres; maternidade; sofrimento mental.

Resumo

O objetivo da pesquisa é analisar a relação entre maternidade e sofrimento mental. Por meio do materialismo histórico-dialético, possui abordagem qualitativa e mobiliza os procedimentos bibliográficos e de campo. Realizou entrevistas de história de vida com mulheres em dois equipamentos de saúde mental no nordeste brasileiro. O suporte analítico é a Teoria da Reprodução Social, que considera a unidade entre as relações de exploração e opressão no capitalismo. Entre as mulheres-mães, sobretudo as negras, o sofrimento mental e a maternidade se relacionam: no luto pela morte do filho, no aborto, na amamentação, na adoção “à brasileira”, na violência policial contra os filhos, no ser mãe solo, no não desejo de engravidar, na agressividade materna, na maternidade lésbica. O cuidado em saúde mental deve se apropriar das particularidades que afetam as condições de vida dos diversos segmentos sociais.

Biografia do Autor

Tahiana Meneses Alves

 Assistente Social. Graduação em Serviço Social e Mestrado em Políticas Públicas pela Universidade Federal do Piauí. Mestrado e Doutorado em Sociologia pela Universidade do Minho. Doutorado em Serviço Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Professora Adjunta do Curso de Serviço Social da Universidade Estadual do Ceará. ORCID: https://orcid.org/0000-0003-1019-8746. E-mail: tahiana.meneses@uece.br

Referências

ALEPI. ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO PIAUÍ. Saúde mental: Piauí dispõe de rede pública de acolhimento e cuidado psicológico. ALEPI, 2026. Disponível em: https://www.al.pi.leg.br/comunicacao/tv-assembleia/noticias-tv/saude-mental-piaui-dispoe-de-rede-publica-de-acolhimento-e-cuidado-psicologico. Acesso em 1º mar. 2026.

ARRUZZA, C. Considerações sobre gênero: reabrindo o debate sobre patriarcado e/ou capitalismo. Outubro, n. 23, p. 33-58, 2015. Disponível em: http://outubrorevista.com.br/wp-content/uploads/2015/06/2015_1_04_Cinzia-Arruza.pdf. Acesso em: 22 mai. 2025.

ARRUZZA, C.; BHATTACHARYA, T. Teoría de la Reproducción Social. Elementos fundamentales para um feminismo marxista. Archivos, año VIII, n. 16, p. 37-69, 2020. Disponível em https://www.archivosrevista.com.ar/numeros/index.php/archivos/article/view/251/244. Acesso em: 25 mai. 2025.

BADINTER, E. Um amor conquistado: o mito do amor materno. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1993.

BLEICHER, T. A política de Saúde Mental de Quixadá no contexto da reforma psiquiátrica cearense. Fortaleza: EDUECE, 2019.

BHATTACHARYA, T. Como não passar por cima da classe: reprodução social do trabalho e a classe trabalhadora global. In: BHATTACHARYA, T. (Org.). Teoria da reprodução social: remapear a classe, recentralizar a opressão. São Paulo: Elefante, 2023.

COSTA, J. Ordem médica e norma familiar. Rio de Janeiro: Graal, 1999 [1979].

DAVIS, A. Mulheres, raça e classe. São Paulo: Boitempo, 2016.

FRASER, N. Crise do cuidado? Sobre as contradições sociorreprodutivas do capitalismo contemporâneo. In: BHATTACHARYA, T. (Org.). Teoria da reprodução social: remapear a classe, recentralizar a opressão. São Paulo: Elefante, 2023.

GONZÁLEZ, L. Por um feminismo afro latino americano. Rio de Janeiro: Zahar, 2020.

IBGE. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Censo Demográfico 2022. Rio de Janeiro: IBGE, 2023.

MACEDO, J. P.; DIMENSTEIN, M. A reforma psiquiátrica em contextos periféricos: o Piauí em análise. Memorandum: Memória e História em Psicologia, v. 22, p. 138-164. Disponível em: https://doi.org/10.35699/1676-1669.2012.6595. Acesso em 1º mar. 2026.

MATOS, M. A criminalização do aborto em questão. Coimbra: Almedina, 2010.

MORAES, L. Relação entre universal, particular e singular em análises feministas marxistas: por uma ontologia integrativa. Plural, v. 28. 2, p. 132-158, 2021. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/plural/article/view/184118. Acesso em: 25 mai. 2025.

MORAES, L.; RONCATO, M.; BORREGO, A. A revolução será feminista! Aportes para lutas estratégicas da classe trabalhadora contra o capital. Marília: Lutas Anticapital, 2023.

OLIVEIRA, E. A incrível história de Von Meduna e a filha do sol do Equador. Teresina: Oficina da palavra, 2011.

PASSOS, R. G. Mulheres negras, sofrimento e cuidado colonial. Em Pauta: Teoria Social & Realidade contemporânea, v. 18, n. 45, p. 116 – 129, 2020. Disponível em: https://www.e-publicacoes.uerj.br/revistaempauta/article/view/47219/31983. Acesso em: 17 jul. 2025.

PASSOS, R. G. “O lixo vai falar, e numa boa!”. Revista. Katálysis, Florianópolis, v. 24, n. 2, p. 301-309, 2021. Disponível em: https://doi.org/10.1590/1982-0259.2021.e77194. Acesso em: 18 jul. 2025.

PASSOS, R. Na Mira do Fuzil: a saúde mental das mulheres negras em questão. São Paulo/Porto Alegre: Hucitec Editora, 2023.

PEREIRA, E. Desenvolvimento desigual inter-regional, questão social e Nordeste brasileiro nos anos 2000. Revista Praia Vermelha, Rio de Janeiro, v. 29, n. 1 (especial), p. 67-94, 2019. Disponível em: https://revistas.ufrj.br/index.php/praiavermelha/article/view/14949/14706. Acesso em 1º mar. 2026.

ROCHA, C. BENITEZ, C.; SARAIVA, C.; AZEVEDO, G.; MORAES, L.; RONCATO, M.; COTTA, P.; LEMOS, P.; RUAS, R. Apresentação das tradutoras. In: VOGEL, L. Marxismo e opressão às mulheres: rumo a uma teoria unitária. São Paulo: Expressão Popular, 2022.

ROSA, L. NETO, M.; GUIMARÃES, L. Formação em saúde mental: a experiência piauiense. In: ROSA, L.; GUIMARÃES, L.; CARVALHO. M. (Orgs.). Cenários de práticas em saúde mental: a atenção psicossocial no Piauí. Teresina: EDUFPI, 2009.

RUAS, R. Contribuições para Teoria da Reprodução Social para o debate contemporâneo sobre as opressões. Marx e o Marxismo, v.7, n.13, p. 272-194, 2019. Disponível em: https://niepmarx.com.br/index.php/MM/article/view/340. Acesso em: 25 mai. 2025.

RUAS, R.; ALENCAR, T. Para uma análise inicial dos impactos do ultraneoliberalismo brasileiro sobre a reprodução social. RTPS – Rev. Trabalho, Política e Sociedade, v. 6, n. 10, p. 317-338, 2021. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/353047829_Para_uma_Analise_Inicial_dos_Impactos_do_Ultraneoliberalismo_Brasileiro_sobre_a_Reproducao_Social. Acesso em: 15 set. 2025.

XAVIER, A.; ZANELLO, V. Ouvindo o inaudito: mal-estar da maternidade em mães ofensoras atendidas em um CREAS. Revista de Ciências Humanas, Florianópolis, v. 52, p. 1-23, 2018. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/revistacfh/article/view/2178-4582.2018.e57051. Acesso em 19 set. 2025.

ZANELLO, V. Saúde mental, gênero e dispositivos: cultura e processos de subjetividade. Curitiba: Appris, 2018.

Downloads

Publicado

2026-05-06

Como Citar

Alves, T. M. (2026). “SÓ UMA MÃE É QUE SABE”: MATERNIDADE E SOFRIMENTO MENTAL . Serviço Social &Amp; Realidade, 35(Fluxo contínuo). Recuperado de https://periodicos.franca.unesp.br/index.php/SSR/article/view/5420